Acredito que muitas pessoas que leem meus artigos usam ou já usaram (ou pelo menos têm um amigo que usa) esse tratamento odontológico, muito mais acessível do que há alguns anos. Pra quem não sabe, eu mesma uso! E, convenhamos, é um método um tanto cruel, porém com resultados surpreendentes para a vida toda: um sorriso lindo. Tudo começa quando você para um dia, se olha no espelho e vê que é possível ter um sorriso bonito, pois você não o tem. Boa parte dos seus colegas usam aparelho, e já aconselharam você, apresentando os melhores planos compatíveis com sua renda. Então você se pergunta “por que não?”. Lá no consultório, você até fica um tanto receoso. “Será que vale a pena?”, “não vai doer demais e o resultado ser tão supérfluo?”... Mas agora você já se decidiu e está lá, na cadeira do dentista, já tendo feito todos os exames para ele apresentar a melhor proposta para o seu problema (mordida cruzada, espaço entre os dentes, um monte de termos técnicos que você nunca ouviu falar, e assim vai).
– O aparelho –
O temível, o abençoado?
É, a primeira impressão não é das melhores. Um monte de ferro retorcido em cima de dentes disformes, sem falar o quanto foi incômodo ter ficado de boca aberta por 1h (em alguns casos), sem saber direito o que está acontecend
o. Naquela semana inicial você tem alguns tipos de sensações (paradoxais, talvez): uma é tomar o conhecimento de que seus dentes não são seu orgulho como você pensava, outra é um pouco de felicidade por ter conserto. Tem ainda aqueles que sentem raiva pois dói, e só podem tomar sopa e coisas líquidas enquanto está recente; outros, mais fracos, choram porque não é tão fácil quanto pensaram. Passadas aquelas dores iniciais, vêm outras! Primeiro era a dor geral na arcada, a dor de colocar uma agressão, um ‘corpo’ estranho na sua boca. Agora, são dores específicas. Ou é lá no fundo, ou é cá na frente. Ah, não são só os dentes que sofrem... Ora a língua prende num braquete, ora os mesmos rasgam a gengiva. Têm processos que fazem toda a sua boca inchar, e seus lábios racharem. Às vezes as pessoas precisam de alguns complementos. Aqueles atilhos (elásticos, borrachinhas), o aparelho externo (carinhosamente chamado de freio de burro), o expansores (se você não tiver espaço entre os dentes), entre tantos outros. Dependendo da gravidade do seu problema, o tempo tomado para a sua correção é maior. Também depende da resistência dos seus dentes; Se você tiver espaço na arcada, é mais fácil o agir do método, caso contrário, você precisa até arrancar alguns dentes. Além disso, tem a sua responsabilidade ao lidar com o aparelho, porque se você for quebrando alguns componentes, retarda um processo todo.
Quantas minúcias, não é? Você pode ate não perceber, mas seus dentes vão sendo modelados aos pouquinhos. Aqueles incisivos se juntando um pouquinho, aquele canino virando... Tudo isso numa progressão aritmética, a passo de bebê. O tempo passa e você começa a se acostumar com o aparelho. Continua doendo, você ainda sabe da existência dele, mas você começa a compreender o quanto é necessário. Começa a aprender a viver com essa “novidade”, a se cuidar para cuidar do seu sorriso. Você torce para que acabe de uma vez, passa a medir os avanços, aprende mesmo a lidar com essa nova vida. É o que você escolheu, sabia do preço e tinha uma vaga noção da dor, mas agora você vive isso.
Quando a etapa do aparelho fixo termina, é a vez do aparelho móvel, o método de contenção. Não se pode sair completamente de um tratamento sem passar por esse estágio. É como uma criança, que passa do estágio imóvel ao começar a andar pelo engatinhar, o meio termo. Ele é importante porque, sem ele, seus dentes voltariam ao normal, aquele lá de antes dos anos de aparelho. Que horror seria! Desperdiçar tudo que lhe custou para voltar. Era melhor nem ter feito, desse jeito. Acreditem, já conheci pessoas que cansaram do aparelho no meio do tratamento. Os dentes ficaram um tanto ajeitados, mas sabe? Não estão perfeitos. Ainda estão tortos. Boa parte delas vê os amigos, que colocaram na mesma época, já tirando os seus, com os dentes lindos! E pensam “por que eu não continuei?”. Olha, não é fácil ficar com aparelho por anos a fio, mas ainda pior é passar pelo processo todo de novo. Há também os que saem com um sorriso parelho, mas manchado. Não fizeram a limpeza como deveriam, e assim vão ter de fazer um novo tratamento, um clareamento talvez. Enfim, após essa longa espera um dia você sorri na frente do espelho, sem nenhum metal atrapalhando. Enquanto você usava, até dava pra ver que seus dentes melhoraram muito, todavia agora eles são perfeitos.
Existe, porém, uma coisa que é mais, muito mais, perturbadora due não ter um sorriso bonito: um caráter feio. Esse aí não tem como ficar de boca fechada, não tem como esconder. E pior ainda, ninguém nasce essencialmente perfeito. As pessoas podem fazer boas ações, mas não somos benignos no interior; todos nós nascemos em pecado, somos pecadores da pior espécie. Não é como facilmente consertável como um sorriso, pois alguns nem precisam de aparelho. O caso é que todos precisamos de algo que mude o nosso interior podre, sujo e torto. Nossas melhores obras são como trapos de imundícia diante de Deus
A conversão já não é um processo simples, nem fácil, nem suave. Não é uma única sessão. é um caminho estreito que não começa ou termina com uma simples oração. É um começo e um meio até a morte. Mas salvação é pela graça de Deus. Eis nosso parâmetro.
Infelizmente, nos contentamos em nos comparar com nossos companheiros de culto. Estamos bem. Lutando, mas não pecando tanto quanto os outros. Dando graças a Deus porque não somos como fulana que usa aquela calça colada, ou como fulano que tem uma namorada não cristã. Se esse for o nosso nível, estamos nos comparando com pouco. Muitíssimo pouco. Mornos! Nunca se nivele por baixo, a menos que você queira dizer que a porta e o caminho para o céu são largos, e não estreitos como é expressamente dito na Bíblia. E passo a passo, primeiro enxergamos a nossa corrupção, depois de onde vem o socorro, e então seguimos o caminho.
Diria que “acho”, mas tenho certeza: dói muito, na vida cristã, quando Deus intervém para moldar nosso caráter. Doeria menos se nos deixássemos moldar, mas somos essencialmente rebeldes, e tortos, e maus. Por isso Jesus teve de ser o sacrifício, e nós devemos tudo a Ele. Tudo. Assim, Deus na sua imensa misericórdia vem até nós e nos faz filhos, e como um bom Pai, nos corrige.
"Se eu fosse recomendar uma religião para lhe fazer sentir confortável certamente não lhe recomendaria o Cristianismo." – C. S. Lewis
Não é fácil, ao errar repetidamente, entender porque Deus nos ama. Mas a verdadeira graça se manifesta nesse amor, ao vermos nosso caráter corrompido aos poucos sendo transformado. E com a ação do Espírito, gradualmente nos desenvolvemos. Não que seja algo notabilíssimo sempre, mas, parafraseando Lewis novamente, nem sempre a primeira virtude é parar de pecar, mas ter forças para continuar. Garanto que não será nada engraçado chegar diante do trono de Deus e dizer "pois é Senhor, estava muito difícil mas sei que Tu compreendes porque eu desisti". Ele foi claro, e você sabe a resposta de Deus para muitos daqueles que dirão "Senhor, Senhor!": "Nunca vos conheci". Não há segunda chance.
E, embora já se tenha esgotado minha paciência desses três anos de ortodontia, não me dou por vencida, uma vez que não faz sentido desistir depois de tudo isso. E ,quanto à obra de Deus em mim, minha oração é que Ele continue, mesmo que doa, canse, aperte e mexa com a minha estrutura, que eu grite e cogite lançar mão de tudo; e embora eu resista, chore, brigue e murmure, que um dia possa chegar a, ao menos de relance, à semelhança de Cristo. Que seja nossa oração.
– O aparelho –
O temível, o abençoado?
É, a primeira impressão não é das melhores. Um monte de ferro retorcido em cima de dentes disformes, sem falar o quanto foi incômodo ter ficado de boca aberta por 1h (em alguns casos), sem saber direito o que está acontecend
o. Naquela semana inicial você tem alguns tipos de sensações (paradoxais, talvez): uma é tomar o conhecimento de que seus dentes não são seu orgulho como você pensava, outra é um pouco de felicidade por ter conserto. Tem ainda aqueles que sentem raiva pois dói, e só podem tomar sopa e coisas líquidas enquanto está recente; outros, mais fracos, choram porque não é tão fácil quanto pensaram. Passadas aquelas dores iniciais, vêm outras! Primeiro era a dor geral na arcada, a dor de colocar uma agressão, um ‘corpo’ estranho na sua boca. Agora, são dores específicas. Ou é lá no fundo, ou é cá na frente. Ah, não são só os dentes que sofrem... Ora a língua prende num braquete, ora os mesmos rasgam a gengiva. Têm processos que fazem toda a sua boca inchar, e seus lábios racharem. Às vezes as pessoas precisam de alguns complementos. Aqueles atilhos (elásticos, borrachinhas), o aparelho externo (carinhosamente chamado de freio de burro), o expansores (se você não tiver espaço entre os dentes), entre tantos outros. Dependendo da gravidade do seu problema, o tempo tomado para a sua correção é maior. Também depende da resistência dos seus dentes; Se você tiver espaço na arcada, é mais fácil o agir do método, caso contrário, você precisa até arrancar alguns dentes. Além disso, tem a sua responsabilidade ao lidar com o aparelho, porque se você for quebrando alguns componentes, retarda um processo todo.Quantas minúcias, não é? Você pode ate não perceber, mas seus dentes vão sendo modelados aos pouquinhos. Aqueles incisivos se juntando um pouquinho, aquele canino virando... Tudo isso numa progressão aritmética, a passo de bebê. O tempo passa e você começa a se acostumar com o aparelho. Continua doendo, você ainda sabe da existência dele, mas você começa a compreender o quanto é necessário. Começa a aprender a viver com essa “novidade”, a se cuidar para cuidar do seu sorriso. Você torce para que acabe de uma vez, passa a medir os avanços, aprende mesmo a lidar com essa nova vida. É o que você escolheu, sabia do preço e tinha uma vaga noção da dor, mas agora você vive isso.
Quando a etapa do aparelho fixo termina, é a vez do aparelho móvel, o método de contenção. Não se pode sair completamente de um tratamento sem passar por esse estágio. É como uma criança, que passa do estágio imóvel ao começar a andar pelo engatinhar, o meio termo. Ele é importante porque, sem ele, seus dentes voltariam ao normal, aquele lá de antes dos anos de aparelho. Que horror seria! Desperdiçar tudo que lhe custou para voltar. Era melhor nem ter feito, desse jeito. Acreditem, já conheci pessoas que cansaram do aparelho no meio do tratamento. Os dentes ficaram um tanto ajeitados, mas sabe? Não estão perfeitos. Ainda estão tortos. Boa parte delas vê os amigos, que colocaram na mesma época, já tirando os seus, com os dentes lindos! E pensam “por que eu não continuei?”. Olha, não é fácil ficar com aparelho por anos a fio, mas ainda pior é passar pelo processo todo de novo. Há também os que saem com um sorriso parelho, mas manchado. Não fizeram a limpeza como deveriam, e assim vão ter de fazer um novo tratamento, um clareamento talvez. Enfim, após essa longa espera um dia você sorri na frente do espelho, sem nenhum metal atrapalhando. Enquanto você usava, até dava pra ver que seus dentes melhoraram muito, todavia agora eles são perfeitos.
Existe, porém, uma coisa que é mais, muito mais, perturbadora due não ter um sorriso bonito: um caráter feio. Esse aí não tem como ficar de boca fechada, não tem como esconder. E pior ainda, ninguém nasce essencialmente perfeito. As pessoas podem fazer boas ações, mas não somos benignos no interior; todos nós nascemos em pecado, somos pecadores da pior espécie. Não é como facilmente consertável como um sorriso, pois alguns nem precisam de aparelho. O caso é que todos precisamos de algo que mude o nosso interior podre, sujo e torto. Nossas melhores obras são como trapos de imundícia diante de Deus
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Romanos 3.23Será que você sabe que seu caráter não é a coisa maravilhosa que você pensa? Antes de termos um parâmetro para nos compararmos, nós agimos a bel-prazer, porque nos nivelamos por baixo. Não mato, não roubo, não faço mal (com frequência). ‘O que é cômodo para mim, é válido, porque o que importa é como eu me sinto’. Há um princípio constitucional que diz que nossa liberdade vai até onde começa a do outro, portanto já começamos com o pé errado legalmente falando – pensando da maneira libertina. São como dentes tortos, que não têm/conhecem algo que os faça retos, pois não têm limites. Então conhecemos Jesus. O Cordeiro que tira os pecados do mundo e oferece o outro lado da moeda. Uma alternativa às escolhas que antes eram um peso obrigatório, agora são lixo, perda total. Toda mentira, lascívia, imundície, toda perversidade do mundo é explicada à luz da Palavra! Glórias a Deus.
A conversão já não é um processo simples, nem fácil, nem suave. Não é uma única sessão. é um caminho estreito que não começa ou termina com uma simples oração. É um começo e um meio até a morte. Mas salvação é pela graça de Deus. Eis nosso parâmetro.
Infelizmente, nos contentamos em nos comparar com nossos companheiros de culto. Estamos bem. Lutando, mas não pecando tanto quanto os outros. Dando graças a Deus porque não somos como fulana que usa aquela calça colada, ou como fulano que tem uma namorada não cristã. Se esse for o nosso nível, estamos nos comparando com pouco. Muitíssimo pouco. Mornos! Nunca se nivele por baixo, a menos que você queira dizer que a porta e o caminho para o céu são largos, e não estreitos como é expressamente dito na Bíblia. E passo a passo, primeiro enxergamos a nossa corrupção, depois de onde vem o socorro, e então seguimos o caminho.
Diria que “acho”, mas tenho certeza: dói muito, na vida cristã, quando Deus intervém para moldar nosso caráter. Doeria menos se nos deixássemos moldar, mas somos essencialmente rebeldes, e tortos, e maus. Por isso Jesus teve de ser o sacrifício, e nós devemos tudo a Ele. Tudo. Assim, Deus na sua imensa misericórdia vem até nós e nos faz filhos, e como um bom Pai, nos corrige.
“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”; Filipenses 1.6Jesus disse que no mundo passaríamos por aflições (João 16.33b) e para tomarmos nossa cruz e O seguirmos (Lucas 9.23). Jesus deixa sempre bem claro ao longo de Seu curto ministério que Cristianismo não é moleza, aquela vida mansa que estamos acostumados a viver e facilmente nos deixamos acomodar. Quando penso em cruz, me vem à mente um peso terrível de sofrimento inimaginável, muito além do que eu mesma vivo no meu cotidiano. Contudo, também disse que, apesar das aflições é para nos alegrarmos porque Ele venceu o mundo (João 16.33c). E também disse que nos daria paz (João 14.27a), aquela que excede todo entendimento e vai além da nossa compreensão terrena. Têm horas que não sabemos como, em meio à tristeza, algo nos lembra de nossas bênçãos e da misericórdia de Deus dia após dia para conosco. Ele também prometeu nos aliviar (Mateus 11.28)! Aí entra o mistério divino, duplamente divino, em que Deus não dá nada pela metade, uma vez que ele aponta o caminho e também como percorrê-lo. Ele é o Deus que começa e termina. As dores do aparelho (seja ele na carne ou no espírito) não se comparam a graça de sofrer pelo Evangelho, tendo em vista um prêmio inimaginável nos céus: vida eterna, o maior tesouro. E nós aqui reclamando de uns poucos anos no mundo, sem espalharmos essa Verdade, sem agarrarmos a promessa e o preço que vem com tudo isso. Preço minúsculo se comparado ao que Cristo pagou em nosso lugar. Vergonha de mim!
"Se eu fosse recomendar uma religião para lhe fazer sentir confortável certamente não lhe recomendaria o Cristianismo." – C. S. Lewis
Não é fácil, ao errar repetidamente, entender porque Deus nos ama. Mas a verdadeira graça se manifesta nesse amor, ao vermos nosso caráter corrompido aos poucos sendo transformado. E com a ação do Espírito, gradualmente nos desenvolvemos. Não que seja algo notabilíssimo sempre, mas, parafraseando Lewis novamente, nem sempre a primeira virtude é parar de pecar, mas ter forças para continuar. Garanto que não será nada engraçado chegar diante do trono de Deus e dizer "pois é Senhor, estava muito difícil mas sei que Tu compreendes porque eu desisti". Ele foi claro, e você sabe a resposta de Deus para muitos daqueles que dirão "Senhor, Senhor!": "Nunca vos conheci". Não há segunda chance.
E, embora já se tenha esgotado minha paciência desses três anos de ortodontia, não me dou por vencida, uma vez que não faz sentido desistir depois de tudo isso. E ,quanto à obra de Deus em mim, minha oração é que Ele continue, mesmo que doa, canse, aperte e mexa com a minha estrutura, que eu grite e cogite lançar mão de tudo; e embora eu resista, chore, brigue e murmure, que um dia possa chegar a, ao menos de relance, à semelhança de Cristo. Que seja nossa oração.
“Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis”. I Pedro 4.13





